domingo, 15 de janeiro de 2017

HORA DA VITROLA: AMELINHA (FREVO MULHER)

Resultado de imagem para IMAGENS AMELINHA
ARQUIVO GOOGLE

 FREVO MULHER
De Zé Ramalho
Com Amelinha



Quantos aqui ouvem, os olhos eram de fé
Quantos elementos amam aquela mulher
Quantos homens eram inverno... outros verão, ão!
Outonos caindo secos no solo da minha mão
Gemerão entre cabeças a ponta do esporão
A folha do não me toque e o medo da solidão
Veneno meu companheiro desatado cantador.or!
E desemboca no primeiro açude do meu amor

É quando o tempo sacode a cabeleira
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia
Procurando por um
É quando o tempo sacode a cabeleira
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia
Procurando por um por um

Acordeão, azabumba e triângulo
Quantos aqui ouvem, os olhos eram de fé
Quantos elementos amou aquela mulher
Quantos homens eram inverno... outros verão, ão!
Outonos caindo secos no solo da minha mão
Gemerão entre cabeças a ponta do esporão
A folha do não me toque e o medo da solidão
Veneno meu companheiro desatado cantador, or!
E desemboca no primeiro açude do meu amor

É quando o tempo sacode a cabeleira
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia
Procurando por um
É quando o tempo sacode a cabeleira
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia
Procurando por um por um

CHÁ DAS CINCO: MANOEL DE BARROS

www.proparnaiba.com


O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

O FAZEDOR DE AMANHECER

Sou leso em tratagens com máquina.
Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.
Em toda a minha vida só engenhei
3 máquinas
Como sejam:
Uma pequena manivela para pegar no sono.
Um fazedor de amanhecer
para usamentos de poetas
E um platinado de mandioca para o
fordeco de meu irmão.
Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias
automobilísticas pelo Platinado de Mandioca.
Fui aclamado de idiota pela maioria
das autoridades na entrega do prêmio.
Pelo que fiquei um tanto soberbo.
E a glória entronizou-se para sempre
em minha existência.






Manoel de Barros (1916-1914) recebeu, entre outros, os seguintes prêmios:
-- Prêmio Orlando Dantas (1960)
-- Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal (1969)
-- Prêmio Nestlé (1997)
-- Prêmio Cecília Meireles (literatura/poesia), em 1998


(FONTE: PENSADOR/UOL)

IMAGENS: CRIANÇAS BRINCANDO (PORTINARI)


                                   Meninos na Gangorra - 1939




Crianças brincando - 1937





                                              Crianças brincando - 1940



                                              Crianças brincando - 1960




                                                 Meninos brincando - 1958




                                                          Futebol - 1958



                                            Meninos soltando pipas - 1940



                                                     Menino com pião - 1947




AUTORRETRATO - 1957

Cândido Portinari (1903-1962) foi um pintor brasileiro. Autor de quasecinco mil obras, entre elas os painéis "Guerra e Paz" da sede da ONU em Nova York e o mural da Biblioteca do Congresso em Washington. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, onde começou a se destacar. Passou dois anos em Paris que foram decisivos para criar o seu estilo. As exposições coletivas no Museu de Arte Moderna de Nova York, na década de quarenta, ao lado de artistas já consagrados, abrem o caminho para individuais em Nova York.

Em 1935, recebe prêmio do Carnegie Institute de Pittsburgh pela pinturaCafé, tornando-se o primeiro modernista brasileiro premiado no exterior. No mesmo ano, é convidado a lecionar pintura mural e de cavalete no Instituto de Arte da Universidade do Distrito Federal. Em seguida, convidado pelo ministro Gustavo Capanema (1902-1998) pinta vários painéis para o novo prédio do Ministério da Educação e Cultura (MEC) (1936-1938), com temas dos ciclos econômicos do Brasil, propostos pelo ministro.

Morreu aos 58 anos, no Rio de Janeiro, vítima de intoxicação causada pelas tintas que utilizava.
Fonte texto:  e-biografias

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Jurubeba – o morador de rua mais famoso de Vila Invernada – parou na porta do bar do Carneiro. Não disse palavra. Nem precisava. Seus olhos embotados suplicavam por cachaça. É como se rogassem: “Uma dose por Deus”. Por Orlando Silveira

FOTOGRAFIAS: AS MAIS FAMOSAS DO BRASIL (2)




6. Leila Diniz grávida na praia (1971) – Fotografia feita em 15 de agosto de 1971 na ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro. A imagem de Leila Diniz de biquíni — grávida de seis meses — escandalizou o Brasil e virou um clássico da iconografia feminina no país. A fotografia, na ocasião, despertou a ira dos conservadores. Fotografia: Joel Maia.




7. Falcão comemorando o empate contra a Itália (1982) – Fotografia feita em 5 de julho de 1982, no estádio Sarriá, em Barcelona, Espanha. Paulo Roberto Falcão comemora o gol de empate contra a Itália, na Copa do Mundo de 1982. A seleção brasileira, considerada uma das melhores da história das copas e favorita ao título, acabaria sendo desclassificada por 3 x 2. O jogo ficou conhecido como o Massacre do Sarriá. Fotografia: J.B. Scalco.




8. Janis Joplin no Rio (1970) – Fotografia feita em fevereiro de 1970, na cidade do Rio de Janeiro, onde Janis Joplin passou 10 dias acompanhada pelo pelo fotógrafo Ricky Ferreira e pelo cantor Serguei. “Creio que a viagem ao Brasil não foi uma boa experiência para ela. Foi muito maltratada. Acho que eles pensavam que a superstar Janis Joplin era mais uma das belezas do cenário hollywoodiano”, afirma o fotógrafo. Fotografia: Ricky Ferreira.



9. JK e a inauguração de Brasília (1960) – Fotografia feita em 21 de abril de 1960. Gervásio Baptista, repórter fotográfico da revista “Manchete”, tinha ido a Brasília com a missão de fazer a foto de uma edição especial sobre a inauguração da nova capital. A fotografia, na subida da rampa do Palácio do Planalto, com Juscelino Kubitschek acenando com a cartola correu o mundo e virou um dos símbolos da cidade. Fotografia: Gervásio Baptista.





10. Passeata dos Cem Mil (1968) – Fotografia foi feita em de 26 de junho de 1968, na cidade do Rio de Janeiro, durante uma manifestação popular de protesto contra a ditadura militar, organizada pelo movimento estudantil e que contou com a participação de artistas, intelectuais e setores da sociedade brasileira. Fotografia: Evandro Teixeira. FONTE: REVISTA BULA


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E o coração do rei sua. Atentem para o detalhe. (OS)
http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2017/01/fotografias-as-mais-famosas-do-brasil-1.html#comment-form


DOCINHO DE BAR? NÃO. JURUBEBA PRECISA DE PINGA

FOTO: ARQUIVO GOOGLE

Jurubeba – o morador de rua mais famoso de Vila Invernada – parou na porta do bar do Carneiro. Não disse palavra. Nem precisava. Seus olhos embotados suplicavam por cachaça. É como se rogassem: “Uma dose por Deus”.

Encostado no balcão, Chico Pança, cujos olhos estavam tão embotados quanto os de Jurubeba, desandou a falar – aos berros, evidentemente - para que todos o ouvissem:

-- Quer comer uma coxinha? Eu pago. Quer um doce? Eu pago. Agora, só não dou dinheiro nem pago cachaça pra pinguço. Isso eu não faço.

O Velho Marinheiro levantou-se da cadeira, foi até o balcão e pediu ao dono do bar que pegasse um copo descartável e o enchesse de aguardente até a boca. Fez-se silêncio. Então, foi até a porta e entregou o copo cheio a Jurubeba, junto com uma nota de cinco reais. Retornou para a mesa e tentou retomar o papo com Ananias, seu amigo.

Chico Pança resolveu cutucar a fera com varinha de condão:

-- É por isso que pinguço não se emenda. Tem sempre um otário...

Não teve tempo de concluir sua fala despropositada. 

-- Escuta aqui, vagabundo: o dinheiro é meu, faço dele o que quero. Quem precisa de pinga para ficar em pé não quer saber de coxinha. Nem consegue comê-la. Não desce. E você o que é? Um bêbado ordinário que ainda tem casa pra morar. Jurubeba precisa mesmo é de tratamento. Você vai pagar, vai? Você é um ignorante incorrigível, Chico. Pega sua coxinha e enfia no rabo, junto com seu moralismo safado. E tem mais: se você humilhar Jurubeba de novo, eu lhe soco a cara. Espero nunca vê-lo dormindo na rua, totalmente dominado pelo vício. Cuide-se, Chico. Porque jamais lhe pagarei uma cachaça nem lhe darei uma moeda sequer. Mas lhe garantirei – tenha certeza – uma coxinha e um doce de bar. (OS - JULHO 2016)

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P da vida o Velho Marinheiro desabafou: "A criança anda mais enfeitada que poodle de pet shop, tem toda sorte de brinquedos e roupas de grife. A mãe, porém, nunca fez uma sopa para o menino. Diz que não tem tempo. O pai compra potes e mais potes de “papinha” pronta e tudo o que é tranqueira industrializada. É essa a alimentação básica do menino: papinha industrializada.  Por Orlando Silveira


http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2017/01/as-papinhas-do-pierino.html#comment-form

AS CHARGES DO DIA




POLO - CHARGE ON-LINE



Charge (Foto: Antonio Lucena)
ANTONIO LUCENA - BLOG DO NOBLAT


Charge do dia 15/01/2017
MIGUEL - JORNAL DA COMMERCIO (PE)


J. BOSCO - O LIBERAL




A imagem pode conter: texto
ALPINO





NICOLIELO - JORNAL DE BAURU (SP)


Previsao 20017 uma ruim e uma bua vai viver muito nao vai se aposentar nunca cigana futuro
AMARILDO



JEAN GALVÃO - FOLHA DE S. PAULO


Charge (Foto: Chico Caruso)
CHICO CARUSO - O GLOBO

sábado, 14 de janeiro de 2017

HORA DA VITROLA: ALCEU VALENÇA



CORAÇÃO BOBO
De Alceu Valença
Com Alceu Valença e Zé Ramalho



Meu coração tá batendo
Como quem diz não tem jeito
Zabumba, bumba esquisito
Batendo dentro do peito

Teu coração tá batendo
Como quem diz não tem jeito
O coração dos aflitos
Batendo dentro do peito

Coração bobo, coração bola
Coração balão, coração São João
A gente se ilude dizendo
Já não há mais coração



ANUNCIAÇÃO
De Alceu Valença
Com Alceu Valença



Na bruma leve das paixões que vêm de dentro
Tu vens chegando pra brincar no meu quintal
No teu cavalo peito nu cabelo ao vento
E o sol quarando nossas roupas no varal

Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais

A voz do anjo sussurrou no meu ouvido
E eu não duvido já escuto os teus sinais
Que tu virias numa manhã de domingo
Eu te anuncio nos sinos das catedrais


IMAGENS: HEITOR DOS PRAZERES


Favela

Favela

óleo sobre tela, c.i.d.
130.00 x 96.00 cm
Reprodução fotográfica Antonio Rudge


Favela

Favela

óleo sobre tela, c.i.d.
54.00 x 65.50 cm
Reprodução fotográfica autoria desconhecida



Morro

Morro

óleo sobre tela, c.i.d.
144.00 x 102.00 cm
Reprodução fotográfica Antonio Rudge


No Morro

No Morro

óleo sobre cartão, c.i.d.
35.00 x 27.00 cm
Coleção Sergio Sahione Fadel
Reprodução fotográfica Dimitri Lambru


A Prainha

A Prainha

óleo sobre tela, c.i.d.
45.00 x 54.00 cm
Reprodução fotográfica Leondino A. Kubis



Moenda

Moenda

óleo sobre tela
65.00 x 81.00 cm
Coleção Museu de Arte Contemporânea 
da Universidade de São Paulo
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini




Mulata

Mulata

óleo sobre madeira, c.i.d.
47.50 x 36.20 cm
Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM RJ
Reprodução fotográfica Fábio Ghivelder



Mulata no Quarto

Mulata no Quarto

óleo sobre tela, c.i.d.
45.00 x 54.00 cm
Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM RJ
Reprodução fotográfica Paulo Scheuenstuhl


FONTE: ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL
(FOTOS E CRÉDITOS)

***



Heitor dos Prazeres (Rio de Janeiro 1898 - idem 1966) foi pintor, compositor, marceneiro. Participou da fundação das primeiras escolas de samba cariocas, entre elas a Estação Primeira de Mangueira.

Com a palavra, Rubem Braga:

"Se há um homem que não precisava ser pintor era esse, cuja vida e amores já conta de maneira tão boa em outra arte, mas sua riqueza interna veio ganhar na pintura uma expressão irmã do samba, e seria fácil reconhecer o ritmista na composição dos quadros, o 'envernizador técnico' no seu acabamento caprichado, o boêmio nos motivos malandros que o inspiram. Ele não faz pintura 'do Partido Alto', para deleite dos ricos, nem traz para a tela as cenas das macumbas e candomblés que freqüentou, apenas conta essa vida solta e heróica de cavaquinho na mão e cachaça e mulata, sua vida de seresteiro e trovador de muitas conquistas 'não pela cara que tenho, mas pela conversa que eu sei fazer'".